Delação da Andrade Gutierrez aponta para fraude em pesquisa eleitoral

Leia a interessante matéria veiculada no Portal Voltemos à Direita.

A quem interessa a pesquisa Datafolha?

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O livro de Provérbios (V)

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No capítulo cinco, o sábio passa a convidar o filho a aprestar os ouvidos. Ele retoma a comparação com a atividade militar ao se valer da expressão aprestamento. Já expliquei isso melhor em “O livro de Provérbios (II)”. Atente mais adiante para o fato de o escritor do livro chamar para ele a responsabilidade pelo que escreve e pelo conteúdo da orientação que transmite ao filho. Ele menciona “compreensão”, palavra relacionada à atividade racional. Tanto no capítulo cinco como no capítulo dois, o autor retoma a “pauta” do relacionamento amoroso e da fidelidade na união conjugal, da mulher da juventude e de outros pontos. No contexto em que o livro foi escrito, a palavra de cautela para os relacionamentos é dirigida ao homem. Mas hoje torna-se óbvio que a mulher pode tomar tranquilamente os conselhos para si mesma.

Sei de um caso de homem cuja mulher o traía e ele ainda era acossado indevidamente pelo amante da mulher, que se passava por policial sem sê-lo. Terrível! No outro extremo, conheço alguns homens cujas posses se esvaíram como areia de ampulheta – sem direito a virar o lado – em função de terem arrumado amantes, deixando inclusive os filhos em penúria material e emocional.

“Os lábios de uma mulher promíscua destilam mel e (a palavra de) sua boca parece mais macia do que o óleo, mas seus propósitos são amargos como absinto e ferem tanto quanto uma espada de dois gumes.” (5,3.4)

“Afastai-vos dela e não vos aproximeis da porta de sua casa, para que não tenhais que ceder  a outros  a glória (que poderíeis alcançar) e a extensão de vossas vidas a uma pessoa cruel. Estranhos absorveriam tua força, e o fruto de teu trabalho seria desviado para suas casas.” (5, 8-10)

Depois que o tempo passa e a bobagem  – ou coisa pior – é feita, resta só lamentar. Tem ação que não se conserta, só se indeniza. É melhor ouvir conselho (para o sábio, conselho é bom e pode ser dado de graça sim) e aprender com o erro dos outros do que amargar consequências que às vezes não tem volta.

“Lamentamos, então, ao perceberes que se aproxima teu fim e sentires consumir-se a carne de teu corpo. Dirias então: ‘Como pude abominar a disciplina e desprezar em meu coração as advertências recebidas?’” (5, 11.12)

No final, o sábio se vale de imagem aquífera para encorajar cada homem a permanecer fiel à própria mulher, bem como a não largar a mulher da juventude. Conheço muitos casais que já contam mais de 20 nos de matrimônio. Eu mesmo já estou chegando perto dessa marca. Gosto muito de estar casado e conviver de perto com alguém há quase vinte anos. Tem sido bom, apesar dos contratempos.

“Bebe água somente da tua própria cisterna, a água corrente de tua própria fonte” (5,15)

“Será abençoada tua fonte e te regozijarás com a esposa de tua juventude.” (5.18)

 

mpaulojme@gmail.com

A fé que move a economia: Weber 1 X 0 Marx

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É conhecido no pensamento de Marx o pilar que o sustenta: economia move tudo, inclusive a religião. Para Marx, a economia é determinante; o resto é determinado. No pensador do chamado materialismo dialético, as mãos (literais) e o trabalho são chave para a compreensão de quase tudo no campo sociológico.

Por outro lado, o também alemão Max Weber fez estudos muito profundos da sociedade e é considerado, assim como Marx e Durkheim, um dos pais da sociologia. Não nego, contudo, que Marx tenha sido vulcânico em vários aspectos também.

No caso particular da relação economia e fé, Weber fez um estudo que relaciona a fé protestante calvinista e o capitalismo ocidental, em especial, o americano.

Dessa forma, Weber recolheu dados e argumentou em favor da ideia de que a religião também impulsiona a economia – a tese central de Weber no famoso “A ética protestante e o espírito do capitalismo” é que a teologia social de Calvino, em alguma medida, contribuiu decisivamente para o sucesso da economia de troca ocidental.

Curiosamente, uma reportagem de três páginas do Jornal “O Globo” de domingo 19/6/16 reforça bastante a conclusão weberiana.

Acusando fatos e indicando volume de dinheiro circulante (“Devoção que estimula a economia”), a extensa reportagem mostrou casos concretos no Brasil de como a fé pode mover não só montanhas mas a economia também: centrada nos casos de Aparecida-SP, Juazeiro do Norte-CE, Abadiânia-GO, Palmelo-GO e Trindade-GO, ficou límpido como a economia é afetada pela fé e que a relação rígida imaginada por Marx – a economia determina a religião – não se sustenta no mundo real. Interessante é que, de forma a enriquecer o estudo de Weber, nenhum dos casos listados possui ligação com o protestantismo. Dos cinco casos trazidos pela longa reportagem, dois se referem a catolicismo e três a espiritismo. Vamos aos números.

Em Palmelo, segundo a matéria, o PIB cresceu 247,3% entre 2000 e 2013 – lá, mais de 60% dos 2400 moradores são espíritas. Já em Alexânia/Abadiânia, o médium João Teixeira de Farias, o João de Deus, provocou uma “revolução” no pequeno município de 16.000 habitantes. João de Deus tornou Alexânia cosmopolita. Curiosamente, João de Deus realizou um sincretismo religioso: a casa onde ele atende os turistas chama-se Dom Inácio de Loyola, em alusão ao ex-militar que fundou a famosa e controvertida Companhia de Jesus. Na casa é muito comum ouvir inglês e alemão. Além dos gringos, João de Deus atrai famosos de vários matizes: de Xuxa ao ministro do Supremo Luís Roberto Barroso.

Aparecida do Norte movimenta em seu comércio cerca de R$ 600 milhões. Não é novidade a vocação turística religiosa da cidade-santuário. Segunda maior basílica da Igreja de Roma, atrás apenas da Basílica de São Pedro, a de Aparecida atrai fiéis que podem gastar cerca de mil reais na viagem e dependendo do bolso e do gosto, cerca de 120 reais com almoço e estacionamento. A fé pode mover a economia também.

“Com a economia baseada no turismo, essas cidades têm boa parte do PIB sustentada pelo setor de serviços. Em Aparecida, esse segmento movimenta quase 68% da economia. Em Juazeiro, 59%; em Abadialândia, 42%; e em Trindade, 37%.”.

O trecho acima resume bem a reportagem e ilustra bem como, no caso examinado, a teoria sociológica de Weber suplanta a de Marx, o que me autoriza a mostrar o placar desta “partida”: Weber 1 X 0 Marx.

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O livro de Provérbios (IV)

 

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Esse capítulo quatro é para os jovens. Se você tem filhos, pode muito bem sorver dessa fonte de correção e ajuste e depois indicar pra ele. Na visão do sábio, o jovem tem um caminho seguro a trilhar para aprender a sabedoria e compreensão das coisas divinas: a Lei de Deus. Compreendida ordinariamente por Lei, a palavra Torá (do hebraico) é melhor traduzida por Instrução. Porém, aqui, por questão de consagração do termo, vou usar Lei.

A Lei de Deus é perene, nunca foi revogada ou será até que passem céus e terra. Muitos grupos cristãos a tem em alta conta e entendem que ela conduz o que crê à santificação. Nem toda prescrição da Lei é para todos. O não judeu não está obrigado a muitas delas mas os princípios éticos da Torá podem ser observado por qualquer um. Provérbios é ética, já o disse antes em “O livro de Provérbios (Mishlê)”.

“Estai atentos, ó jovens, à disciplina de vosso Pai, e escutai com atenção, para adquirirdes compreensão, pois fundamentais são os ensinamentos que vos proporcionei; não abandoneis a minha Torá” (4,1.2)

Seja qual for a orientação religiosa do jovem, dá pra observar no dia-a-dia que as famílias que estreitam os laços com suas crianças geram adolescentes mais tranquilos e obedientes aos pais, e jovens mais equilibrados ante os desafios da vida. Com isso, essa juventude tem mais chance de não padecer tanto face aos “senhores” químicos da existência –  descontrolados na juventude –  como dopamina e ocitocina.

“Fui um filho dedicado a meu pai, carinhoso e único para com minha mãe.” (4,3)

O sábio insiste que a Lei deve ser buscada pelo jovem, pois ele (o jovem) só tem a ganhar.

“Não esqueças (a Torá) e ela te preservará; ama-a e ela te guardará. O princípio da sabedoria é buscar sua aquisição e, ao fazê-lo, conseguir também entendimento. Busca-a  e ela te exaltará; abraça-te a ela e honra te será concedida” (4,6-9)

Vestimenta de vitória para uso nesta terra é tecido pelo sábio. O alerta sobre os efeitos da sabedoria sobre o homem que a adquire é patente. Na perspectiva dele, é como se o que busca a sabedoria mais do que o ouro deste mundo, terá necessariamente bênção no presente.

“Atenta, pois, meu filho, e acata minhas palavras, e assim serão aumentados os anos de tua vida.” (4, 10)

Numa linguagem próxima daquela na qual o salmista se expressa, o sábio usa a ideia dos passos e dos pés como sinais inequívocos da presença da sabedoria na vida do que a observa. Os passos do que tem sabedoria são retos e não se desviam. Até uma criança pequena pode entender essa alusão.

“Quando caminhares, nada restringirá teus passos; e se correres não tropeçarás.” (4,12)

Como sempre haverá (propositadamente) discursos duvidosos e com duplo sentido, Provérbios tem o antídoto perfeito para isso. A instrução do sábio advoga a clareza de mente e de expressão e exorta o que busca a sabedoria a ter lábios sinceros. Mesmo sendo consciente do laço com que a mentira pode nos enredar e como é impossível, em algum momento da vida, dela não fazer uso ou dela não se valer ainda que esquivamente, o sábio se volta contra o engano e as sutilezas maléficas do discurso. Isso vale pra toda gente mas para o jovem é especialmente importante, pois evita que ele se envolva em fofocas e enrascadas.

“Remove de ti palavras dúbias e distancia de ti lábios enganadores.” (4, 24)

 

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Jornal Nacional: “Brexit é extrema direita”

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O JN de 28/6 veiculou longa reportagem sobre o resultado do plebiscito cujo veredito foi retirar o Reino Unido da União Europeia. Na matéria, a vitória do Brexit (abreviação de Britain + Exit, ou seja, saída britânica) é coisa da extrema direita.

Impregnado da linguagem corretamente política e de apoio tácito a globalistas e unificadores de nações, o JN se esforçou para mostrar que, caso o Parlamento Inglês assine embaixo da vontade popular, as trevas retornarão à Europa. Para o JN e para muitos da mídia, como a ISTO É, os que votaram pela “saída” são ignorantes, atrasados, preconceituosos, racistas, homofóbicos, xenófobos, etc. “É extrema direita, gente. Vai esperar o quê?” Nada mais distante dos fatos.

Nesse caso, a vontade popular, o desejo de pessoas de carne e osso, muitos dos quais pobres, foi decisiva. E isso é importante. À semelhança da ONU, com seu governo administrativo que não passa por estâncias participativas, a União Europeia, apesar de ter parlamento, não é vista, sobretudo pelos ingleses mais pobres, como canal democrático efetivo. O povo disse não.

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Na verdade, a federação composta por quatro países, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, disse não à União Europeia por pelo menos duas excepcionais razões.

A primeira. O intervencionismo do governo europeu, a partir de Bruxelas, considerado muitas vezes antidemocrático.

A segunda. A quantidade de migrantes – europeus, melhor dizendo – que foram morar no Reino Unido, competindo por emprego, saúde e escolas. A vida cotidiana foi atingida por um tsunami demográfico e social. O povo disse não. Em poucas e boas palavras: a liberdade e o bolso dos britânicos foram atingidos. Quem suporta esse tipo de compressão por muito tempo?

Além de tudo, há um fato central lembrado por especialistas em Inglaterra – a maioria dos que disseram “não” foi de lá. Não existe festa de independência para os filhos da rainha. É como se dissessem ao Parlamento europeu: “sempre fomos livres!”. Somado a isso, o Reino Unido pode manter relações com a União Europeia e continuar no Mercado Comum, sem, contudo, participar da estrutura política de Bruxelas.

Em outro front, muitos analistas têm feito previsões apocalípticas de que a modernidade perdeu, a livre circulação de mercadorias e pessoas levou um duro golpe e outras profetadas do tipo. O que vejo como consequência é que (em efeito talvez não visualizado por conservadores e pela “extrema direita” do JN), parte da chamada civilização ocidental pode enfraquecer perante chineses e islâmicos. Porém, qual remédio, por mais eficaz que seja no combate à doença, não traz consigo pelo menos irritação estomacal?

Brexit foi Vox Populi, é verdade, mas pode trazer consigo algum mal embutido. Entretanto, nesse mundo de meu Deus, o que não traz risco? Melhor afastar o mal atual do que esperar pelo bem num futuro incerto. Se, segundo o JN (28/6) – em tentativa implícita de manobrar a opinião pública brasileira – isso é ser extrema direita, por que não?

Pra frente, Brexit!

 

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Terror na Turquia: “- mais uma, garçom!”

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O Estado Islâmico não para. É nesse grupo terrorista que o governo turco aposta todas as fichas de autoria dos atentados que mataram até agora 32 pessoas e deixaram feridas cerca de 88 num aeroporto da capital Istambul. Isso foi hoje, 28/6/2016. Homens bombas se explodiram ali.

Ostentando na bandeira vermelha nacional o crescente e a estrela, a Turquia, de algum modo um estado islâmico, é aterrorizada pelo Estado Islâmico. Mesmo sendo estado laico, o ataque não deixa de ser emblemático, pois mais de 90% da população se declara muçulmana.

Europeizada e ocidentalizada, a Turquia ombreia com França e Bélgica na tristeza e na impotência de não poder ter evitado o terror religioso muçulmano. Europeizada e ocidentalizada, Istambul passa a contar seus mortos vítimas da brutalidade do ISIS, junto com Bruxelas e Paris.

Entre os separatistas curdos e o Estado Islâmico, a inteligência do governo indica estes últimos como prováveis mentores e executores da matança. Nada será como antes em Istambul, assim como Nova Iorque não é a mesma depois daquele setembro macabro.

Retaliada por fazer parte da coalizão que fustiga o Estado Islâmico na Síria e no Iraque, como a Turquia responderá a esse ataque?

Mais violência? Fraqueza? Covardia?

O famoso grupo terrorista parece não dar sinais de que seu desejo de beber sangue ocidental terá fim. O carrasco dos laranjas parece ser aquele habitué de taverna que nunca toma a saideira; sempre quer a próxima e só encerra a rodada quando tomba. Até quando o Estado Islâmico, inclemente e impune, gritará em tom de galhofa: “- mais uma, garçom!?”

 

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