O livro de Provérbios (V)

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No capítulo cinco, o sábio passa a convidar o filho a aprestar os ouvidos. Ele retoma a comparação com a atividade militar ao se valer da expressão aprestamento. Já expliquei isso melhor em “O livro de Provérbios (II)”. Atente mais adiante para o fato de o escritor do livro chamar para ele a responsabilidade pelo que escreve e pelo conteúdo da orientação que transmite ao filho. Ele menciona “compreensão”, palavra relacionada à atividade racional. Tanto no capítulo cinco como no capítulo dois, o autor retoma a “pauta” do relacionamento amoroso e da fidelidade na união conjugal, da mulher da juventude e de outros pontos. No contexto em que o livro foi escrito, a palavra de cautela para os relacionamentos é dirigida ao homem. Mas hoje torna-se óbvio que a mulher pode tomar tranquilamente os conselhos para si mesma.

Sei de um caso de homem cuja mulher o traía e ele ainda era acossado indevidamente pelo amante da mulher, que se passava por policial sem sê-lo. Terrível! No outro extremo, conheço alguns homens cujas posses se esvaíram como areia de ampulheta – sem direito a virar o lado – em função de terem arrumado amantes, deixando inclusive os filhos em penúria material e emocional.

“Os lábios de uma mulher promíscua destilam mel e (a palavra de) sua boca parece mais macia do que o óleo, mas seus propósitos são amargos como absinto e ferem tanto quanto uma espada de dois gumes.” (5,3.4)

“Afastai-vos dela e não vos aproximeis da porta de sua casa, para que não tenhais que ceder  a outros  a glória (que poderíeis alcançar) e a extensão de vossas vidas a uma pessoa cruel. Estranhos absorveriam tua força, e o fruto de teu trabalho seria desviado para suas casas.” (5, 8-10)

Depois que o tempo passa e a bobagem  – ou coisa pior – é feita, resta só lamentar. Tem ação que não se conserta, só se indeniza. É melhor ouvir conselho (para o sábio, conselho é bom e pode ser dado de graça sim) e aprender com o erro dos outros do que amargar consequências que às vezes não tem volta.

“Lamentamos, então, ao perceberes que se aproxima teu fim e sentires consumir-se a carne de teu corpo. Dirias então: ‘Como pude abominar a disciplina e desprezar em meu coração as advertências recebidas?’” (5, 11.12)

No final, o sábio se vale de imagem aquífera para encorajar cada homem a permanecer fiel à própria mulher, bem como a não largar a mulher da juventude. Conheço muitos casais que já contam mais de 20 nos de matrimônio. Eu mesmo já estou chegando perto dessa marca. Gosto muito de estar casado e conviver de perto com alguém há quase vinte anos. Tem sido bom, apesar dos contratempos.

“Bebe água somente da tua própria cisterna, a água corrente de tua própria fonte” (5,15)

“Será abençoada tua fonte e te regozijarás com a esposa de tua juventude.” (5.18)

 

mpaulojme@gmail.com

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