O livro de Provérbios (IV)

 

lampada

Esse capítulo quatro é para os jovens. Se você tem filhos, pode muito bem sorver dessa fonte de correção e ajuste e depois indicar pra ele. Na visão do sábio, o jovem tem um caminho seguro a trilhar para aprender a sabedoria e compreensão das coisas divinas: a Lei de Deus. Compreendida ordinariamente por Lei, a palavra Torá (do hebraico) é melhor traduzida por Instrução. Porém, aqui, por questão de consagração do termo, vou usar Lei.

A Lei de Deus é perene, nunca foi revogada ou será até que passem céus e terra. Muitos grupos cristãos a tem em alta conta e entendem que ela conduz o que crê à santificação. Nem toda prescrição da Lei é para todos. O não judeu não está obrigado a muitas delas mas os princípios éticos da Torá podem ser observado por qualquer um. Provérbios é ética, já o disse antes em “O livro de Provérbios (Mishlê)”.

“Estai atentos, ó jovens, à disciplina de vosso Pai, e escutai com atenção, para adquirirdes compreensão, pois fundamentais são os ensinamentos que vos proporcionei; não abandoneis a minha Torá” (4,1.2)

Seja qual for a orientação religiosa do jovem, dá pra observar no dia-a-dia que as famílias que estreitam os laços com suas crianças geram adolescentes mais tranquilos e obedientes aos pais, e jovens mais equilibrados ante os desafios da vida. Com isso, essa juventude tem mais chance de não padecer tanto face aos “senhores” químicos da existência –  descontrolados na juventude –  como dopamina e ocitocina.

“Fui um filho dedicado a meu pai, carinhoso e único para com minha mãe.” (4,3)

O sábio insiste que a Lei deve ser buscada pelo jovem, pois ele (o jovem) só tem a ganhar.

“Não esqueças (a Torá) e ela te preservará; ama-a e ela te guardará. O princípio da sabedoria é buscar sua aquisição e, ao fazê-lo, conseguir também entendimento. Busca-a  e ela te exaltará; abraça-te a ela e honra te será concedida” (4,6-9)

Vestimenta de vitória para uso nesta terra é tecido pelo sábio. O alerta sobre os efeitos da sabedoria sobre o homem que a adquire é patente. Na perspectiva dele, é como se o que busca a sabedoria mais do que o ouro deste mundo, terá necessariamente bênção no presente.

“Atenta, pois, meu filho, e acata minhas palavras, e assim serão aumentados os anos de tua vida.” (4, 10)

Numa linguagem próxima daquela na qual o salmista se expressa, o sábio usa a ideia dos passos e dos pés como sinais inequívocos da presença da sabedoria na vida do que a observa. Os passos do que tem sabedoria são retos e não se desviam. Até uma criança pequena pode entender essa alusão.

“Quando caminhares, nada restringirá teus passos; e se correres não tropeçarás.” (4,12)

Como sempre haverá (propositadamente) discursos duvidosos e com duplo sentido, Provérbios tem o antídoto perfeito para isso. A instrução do sábio advoga a clareza de mente e de expressão e exorta o que busca a sabedoria a ter lábios sinceros. Mesmo sendo consciente do laço com que a mentira pode nos enredar e como é impossível, em algum momento da vida, dela não fazer uso ou dela não se valer ainda que esquivamente, o sábio se volta contra o engano e as sutilezas maléficas do discurso. Isso vale pra toda gente mas para o jovem é especialmente importante, pois evita que ele se envolva em fofocas e enrascadas.

“Remove de ti palavras dúbias e distancia de ti lábios enganadores.” (4, 24)

 

mpaulojme@gmail.com

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