O livro de Provérbios (III)

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Prosseguindo no exame livre e pessoal do livro, ganha destaque uma proibição do sábio para que se renuncie à bondade e à integridade. Penso que, ainda que eu seja assolado com o mal e a injustiça, não devo deixar de ser bom e íntegro. Se eu puder repelir a maldade de que fui vítima injustamente, o farei. Mas não devo deixar esses fatos da vida contaminarem a alma e atrapalharem meu mover no mundo.

Na tradição hebraica, a insistência para se buscar o Eterno é grande e o resultado dessa busca é o conhecimento de Deus; Deus tem que estar no centro da vida, tem que ser sangue circulante.

“Não renuncies, jamais, à bondade e à integridade; prende-as a teu colo e inscreve-as no âmago de teu coração” (3,3).

Mais à frente, o sábio não despreza a razão e a inteligência, mas ensina que ela não é suficiente como estrada para o conhecimento do Eterno. Talvez ele sugira que a razão não é a via adequada para “o caminho espiritual”’. É o que se chama união mística com Deus. Um pouco de ceticismo em relação a si mesmo e às próprias capacidades e possibilidades não faz mal à existência e ajuda na caminhada.

“Confia no Eterno com todo teu coração e não te fies em tua própria compreensão.” (3,5)

“Não te consideres sábio a teus próprios olhos; teme sempre ao Eterno e afasta-te do mal.” (3,7)

A ideia segundo a qual a sabedoria é mais valiosa que a prata e o ouro deste século é reforçada [ver “o livro de Provérbios (II)”] pelo sábio e ele defende que a sabedoria é mais valiosa que os bens, embora eu precise deles.

“… pois ela é uma mercadoria mais valiosa que a prata, e proporciona mais ganho que o ouro mais fino;” (3,14).

Ao final, uma menção ao aspecto social da ética do sábio de Provérbios – que adianta sabedoria se ela não puder ser transmitida? Se ela não se comunicar, como aproveitar verdadeiramente a sabedoria? A sabedoria tem que ir além do corpo; ela tem de avançar e alcançar o outro.

“Não retenhas o bem de quem o necessita quando o poder de concedê-lo estiver em tua mão. Não digas a teu próximo: ‘Vai e retorna amanhã que então te darei’, embora o possas fazer agora” (3,27-28).

Como diria minha mãe: “- meu filho, não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje”.

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