Amor ao conservadorismo ou amor a Deus?

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O conservadorismo é uma perspectiva política cuja divulgação é relativamente nova no Brasil e possui ligação com os nomes de Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé e Denis Rosenfield. Escrevendo em nosso idioma, mas não sendo brasileiro, cito também o português João Pereira Coutinho. Algumas editoras publicam esse tipo de literatura, umas exclusivamente, outras não: É Realizações, Vide Editorial, Record e Leya têm se destacado nesse filão.

De alguma forma, havia sede de pensadores que escrevessem sobre conservadorismo e explicassem isso ao brasileiro, porque, no vocabulário de nossa esquerda, conservador é xingamento e conservadorismo é palavrão.

Contudo, como evangélico, me faço a seguinte pergunta: até aonde eu devo ir em minha “devoção” a autores conservadores e suas ideias?

Não conheço a orientação religiosa do professor Denis Rosenfield; Olavo é de orientação católica, mas envolvido na tal “Filosofia Perene”; Luiz Felipe Pondé guarda relação problemática com Deus, do tipo “morde e assopra” e João Pereira Coutinho parece não se interessar pelo assunto.

Pelo menos é o que pude constatar da leitura de “As ideias conservadoras explicadas a revolucionários e reacionários” e no ensaio que ele assinou no livreto “Por que virei à direita”. O fato é que em “As ideias conservadoras”, Coutinho expõe, de logo, que o conservadorismo está assentado no pressuposto da imperfeição humana; mas Coutinho avisa: não me venham com a queda da teologia e seus desmembramentos. Pelo menos nessa obra, o interesse de Coutinho é, partindo do dado histórico e verificável por qualquer um de que o homem é imperfeito, esboçar linhas gerais de introdução ao pensamento conservador, distinguindo-o do pensamento revolucionário e do reacionarismo.

A pergunta que repito é: até que ponto vai meu amor pelo conservadorismo? Até que limite evangélicos têm se deixado cegar pela paixão ao movimento conservador e entrado de própria vontade em terreno potencialmente “perigoso”?

Não acho que as pessoas devem deixar de ler os autores aqui citados; eu os leio. Mas, se se quer manter o amor a Deus, é preciso cautela. Olavo de Carvalho tem sido emblemático nesse quesito.

Considerado por muitos – por ele certamente – como uma espécie de guru dos conservadores brasileiros, Olavo exibe característica peculiar: como defendesse evangélicos conservadores no teatro político e a religião como um todo, Olavo atraiu a simpatia de muita gente, inclusive de evangélicos; inclusive a minha. Porém, aprofundando o estudo sobre o espectro religioso da obra olavianana, tromba-se com a tal Filosofia Perene ou perenialismo.

Já expliquei um pouco disso em vários artigos (quem quiser saber mais pode entrar em contato comigo ou ler os textos sobre Olavo no meu blog), e enxergo que, assim como Olavo removeu obstáculos culturais que impediam pessoas de chegar ao catolicismo – o marxismo, por exemplo -, agora Olavo passa a remover obstáculos que impedem seus leitores de chegar à Filosofia Perene. No Brasil, penso que o principal obstáculo à Filosofia Perene seja a teologia evangélica. E Olavo, vez ou outra, a combate nos cursos dele e nas aulas do COF. O amor ao conservadorismo de Olavo tem levado evangélicos a tornarem-se católicos e suspeito que, em breve, muitos serão também perenialistas e defensores da Inquisição, como o mestre.

Nesse momento acho oportuno citar um versículo do livro de Deuteronômio.

“Assim não farás ao Senhor teu Deus; porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses; pois até seus filhos e suas filhas queimaram no fogo aos seus deuses.” (12,31)

A despeito da situação específica em que foi celebrada a Aliança de Deus com Israel, é tranquilamente possível extrair um princípio desse trecho: não servir ao Altíssimo como as nações serviam aos deuses. O primeiro catolicismo serviu ao Deus de Israel como as nações gregas “serviam”, criando uma teologia que não é adequada para lidar com conceitos judaicos e distorcendo o papel e a natureza do Messias de Israel; o catolicismo romano – não é novidade pra ninguém – aprofundou a adoração a Javé do jeito que as nações faziam e misturou religiões. Deus não quer isso: o alerta foi dado no texto que citei de Deuteronômio. “Não me adorem como as nações adoram a seus deuses”.

Se o catolicismo romano já está nesse nível, que dizer da filosofia perene, então, com seu misto de catolicismo, hinduísmo e islamismo?

Pergunto, de novo, até aonde vai nosso amor pelo conservadorismo? Até onde, conhecendo o que Deus quer para nós, devem-se ouvir os conselhos de Olavo de Carvalho sobre religião?

Irmãos, Filosofia Perene não combina com revelação bíblica! Nenhum conservadorismo ou autor conservador, por mais instigante que seja, deve ser priorizado sobre o cuidado da própria alma.

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