Julietas de hoje: meninas de 13

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Não é que o suplemento dominical do Jornal “O Globo” me surpreendeu mais uma vez? Abordando temas do cotidiano com leveza e alguma profundidade, a “Revista O Globo” de 6 de junho último trouxe matéria bem bolada e bem preparada sobre as Julietas fluminenses: as meninas de 13 anos. Apesar de o universo das entrevistadas ser de garotas que moram no estado do Rio de Janeiro, o que se falou na matéria vale pra todas elas, inclusive para as Julietas do meu Recife.

Trazendo como referência o drama de Shakespeare, conhecido em todo orbe penso eu, sobre a paixão avassaladora entre a menina Julieta, 13, e o jovem Romeu, de 17, a matéria entrevistou meninas entre 13 e 15 anos, deu voz à Thalita Rebouças e ouviu profissionais que pesquisam o tema – uma antropóloga e uma neuropsicóloga. O resultado desse mix foi uma boa reportagem sobre um assunto universal, que interessa a todo mundo. As Julietas querem saber se foram bem retratadas, os Romeus precisam saber mais delas. Até eu, que não sou pai de Julietas mas de três Romeus, me interessei…Afinal de contas, é desse caldo que sairá minha sopa de noras.

A biologia é a mesma, assegura a neuropsicóloga; o que muda é o tempo e o modo de criação. Numa palavra: a cultura em que se vive. A Julieta original possuía as mesmas bombas do amor: dopamina e ocitocina, hormônios que deixam as Julietas com os quatro pneus arriados por eles. Aos 13 anos, diz a especialista, o cérebro não possui filtro desenvolvido contra as substâncias do amor e aí somos vítimas da paixão e da afetação nessa idade. É difícil ter 13 anos. Por incrível que pareça, o sonho do príncipe encantado viveu todos esses séculos e chega ao Rio ainda intacto, embora não seja exatamente do mesmo jeito, dadas as diferenças de época, lugar e redes sociais, sim esse fator é diferencial para as Julietas de hoje.

A informação é crucial para a menina de 13. Talvez por isso – mas não apenas – elas possam ficar nas festas, hoje chamadas sociais ou resenhas, até 3 da madruga e sejam fãs de figuras internacionais como Justin Bieber e Ian Somerhalder. Pois é… cultura global, fãs clubes globais. O bom é que na vida a gente gosta mesmo é de alguém de perto, uma Julieta ou um Romeu específico e único. O tempo dos amores de manada passam. Ainda segundo a revista, hoje elas deixam a boneca ao 9 e continuam de olho nos mais velhos, “os de 16 são menos bobos”. Romeu, 17, Julieta, 13… Só muda o endereço, a biologia é a mesma, diz a neuropsicóloga.

Thalita Rebouças, a partir de seu contato entre leitora e escritora emitiu opiniões, “nenhuma pesquisa, só impressões”, fez questão de frisar. O acesso à informação mudou as coisas e ajudou muito a se ter um perfil como o das Julietas de hoje; por outro lado, para Thalita, os conflitos de adolescentes são os mesmos da avó dela e dela mesma: a Julieta não se vê mais como criança mas não se vê totalmente adolescente; se preocupa com as espinhas, com o dente torto, tem angústia. A tal da lente de aumento também está presente nessa idade: defeitos, qualidades, insatisfações e medos ficam em tamanho mega! Talvez aqui a chave para amortecer essa dissonância e a sensação de ser um estranho no ninho da vida, seja a união familiar. Pai, mãe, Julietas, Romeus, ficarem mais próximos e fazerem coisas juntos. Pai e mãe não aborrecerem seus filhos, como teria ensinado Saulo de Tarso. Acho que isso pode ajudar a diminuir o senso de ET do adolescente.

A antropóloga, por sua vez, trouxe contribuições interessantes: a rebelião contra pai e mãe é mais fácil e rápida, pois é contra um “inimigo” que você vê e conhece; já resposta contra  influência de amigos e da sociedade (mídia, Governos, escola, livros, etc), pode não ser tão eficaz, pois é esfera de ação diluída e fluida (“líquida” como diria um famoso sociólogo). Por isso, a Julieta pode não saber contra quem se revoltar. A escolha do par continua importante para as Julietas conectadas. Atenção, Romeus!

“Você ser escolhido por quem você escolheu continua sendo importante”, assegura a antropóloga.

As Julietas entrevistadas possuem distinção no gosto: viajar para Suécia antes de casar, ser cantora, ler obstinadamente, viajar para região serrana do Rio, dançar e fazer balé. Há até aquela cuja carreira profissional já está planejada: quer ser doutora. Uma delas nunca brincou de boneca e não tá nem aí pra namoro agora; outra vai muito ao Shopping e a última quer fazer curso de maquiagem. Muito mais foi dito na matéria e acho que vale à pena a leitura.

Por fim, queria saber se as demais Julietas se identificaram com elas e se os Romeus entenderam o recado. Além disso, para quem é pai e mãe, a matéria bateu boa foto da juventude feminina de nossos dias.

Eu gostei de ver esse retrato – mesmo não fotogênico em alguns ângulos – e vou correndo contar pros meus Romeus!

 

e-mail:mpaulojme@gmail.com

twitter:@marcospaulofon2

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