Nó na política: direita gayzista e esquerda conservadora

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A democracia israelense, de orientação conservadora, convive bem com movimento gay; Putin e sua esquerda reprimem os amantes do arco-íris! É possível isso? Como pode haver tais coisas?

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Para quem simplifica a realidade política fica no ar a surpresa. Muitos, como eu, aprenderam que direita é direita e esquerda é esquerda. E agora?

Esquerda

É verborrágica, gosta de palavrão, defende a justiça social, é a favor de ideologias abortista e gayzista e se mostra simpática ao gigantismo estatal.

Direita

Polida, amante de bons jantares regados a vinho nobre e caviar, almofadinha, inimiga dos pobres, contrária a abortismo e gayzismo.

Antes de prosseguir, um esclarecimento. É interessante frisar que a pessoa que é a favor do aborto em certas situações não é necessariamente abortista – vida da mãe em risco, por exemplo. Abortista, via de regra, é a que defralda a bandeira do “my body my rules” (meu corpo minhas regras). Ser gay não significa ser gayzista; Clodovil, por exemplo, era gay sem ser gayzista; Marta Suplicy não é lésbica mas é gayzista.

Esquerda? Direita? Ou muito pelo contrário?

Afirmo que o mundo político é complexo demais para se deixar aprisionar ou explicar totalmente por uma ideologia ou sistema filosófico e que quase nunca “perdoa” os que fazem reduções simplistas e rasteiras.

O Estado judeu e o Estado russo de nossos dias são duas realidades que comprovam o que digo e que confrontam abertamente o que aprendemos sobre esquerda e direita, como esbocei rapidamente antes.

Considerado conservador, o governo do Primeiro ministro Benjamin Netanyahu, o Bibi, facilita a vida do movimento gay, embora em Israel ainda não haja união civil entre pessoas de mesmo sexo. No dia 10 de junho, em Tela Viv, aconteceu a maior parada gay da região. Tela Viv foi a capital mundial do Arco-Íris naquele dia. Direita gayzista? Arrisco-me a chamá-la assim mas o faço, mesmo sabendo que ali há parruda influência socialista. Nó na política?

Por outro lado, tem-se a Rússia de Putin. Vista por certa direita brasileira como a raiz de todos os males do universo, inclusive da denúncia do deputado de direita Rodrigo Maia, do DEM-RJ, envolvido em recebimento de propina (risos). Considerada de esquerda, a Rússia de Putin é fonte de conservadorismo nos costumes. Por lá, gayzista não é bem vindo. Nó na política?

Libertários

Conhecidos também como anarcocapitalistas, e situados mais à direita no espectro político, embora não gostem de serem enquadrados politicamente, tais grupos se identificam com programas como liberação da maconha e união civil de homossexuais, situações normalmente repudiadas pela direita religiosa. Religião que, por sua vez, no caso do judaísmo e do cristianismo, tem em seu repertório clássico o cuidado dos fracos – o órfão, a viúva, o estrangeiro e o pobre. A tal justiça social não é só para a esquerda, portanto. Deu nó?

Chico Buarque

Pertencente à esquerda petista empedernida, ele gosta de se achar em Paris apreciando vinho raro e caviar.

Governo Militar

Em certo aspecto, foi estatista e intervencionista, características típicas da esquerda. Mas era direita. Além disso, é chique hoje no Brasil a tendência da direita boca suja.

Enfim, é preciso cautela para não ter a mente aprisionada por simplificações elementares em política. O esquema tradicional de direita e esquerda ajuda, mas não pode ser cristalizado na mente sob pena de turvamento da visão, saída da estrada e morte intelectual. Dessa forma, quando me deparo com direita gayzista ou esquerda conservadora, acende a luz amarela e, assim, não fico com minha cabeça amarrada pelo nó da política.

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