Crise de representação?

Dilma Janot

Hoje, a notícia mais relevante do mundo político brasileiro foi o pedido de prisão, proposto pelo Procurador Geral da República, de quatro nomes importantes do PMDB: José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá e Eduardo Cunha. Segundo o Globo, Rodrigo Janot protocolou junto ao STF, há mais de uma semana, a medida que balançou o navio peemedebista. Não há dúvida de que a espinha dorsal desse partido foi atingida, mesmo que o Ministro Teori Zavascki não acolha as medidas restritivas de liberdade. Dúvida, porém, surge no ar.

A democracia representativa brasileira está com os dias contados?

Se depender de alguns atores da política tupiniquim, está sim.

Na campanha de 2014, partidos à esquerda, como PSB/Rede e PT propunham, entusiastas, a tal da “radicalização da democracia”.  Para eles, era preciso aprofundar a participação da rua nas instâncias de governo. Em se tratando de PT e Marina bem se sabe que, quando eles dizem aumento de participação da “sociedade civil” no governo, eles querem, na verdade, dizer: participação de “movimentos e militância favorável ao socialismo” no governo. Não é fácil lidar com isso. O decreto de Dilma tentando introduzir, meio que a fórceps, os conselhos na administração federal foi uma tentativa de radicalizar a democracia brasileira e resolver a crise de representatividade apontada pelo PSB/Rede e PT já naqueles dias.

Até Olavo de Carvalho, à direita, defende que as instituições brasileiras estão podres e que o povo tem que ser protagonista do novo cenário. O povo diretamente, insiste Olavo.

O fato é que muita gente está com o mesmo sentimento em relação à política institucional brasileira. Acabou. Não dá mais. Algo tem que ser feito. Quando PT e Olavo concordam em certo ponto é porque a situação já está mais do que transparente e deve ser grave mesmo.

O Antagonista, por sua vez, entende que o pedido de prisão protocolado pelo PGR é mero instrumento para barrar o impeachment de Dilma e, com isso, devolver a faixa a ela sob a nítida impressão de que a medida do impedimento da presidente não foi acertada, pois o núcleo duro do PMDB, partido do presidente interino, está envolvido até os ossos com tudo isso e tentou, igual ao PT, embaraçar a Justiça, em crime evidente e imperdoável. Para Mainardi e colegas, Janot agiu seletivamente ao poupar Dilma, Lula e Mercadante.

Defendo cautela para o momento. É fato que o Brasil passa por crise evidente de representatividade. O assunto é delicado. Às vezes, no afã de tirar o garoto do fosso da Ariranha, pode-se cair lá e morrer junto com o menino. A proposta de salvação que vier nesse momento, seja das Redes seja dos Olavos, deve ser muito bem ponderada para que não se caia no fosso junto com a criança.  As propostas virão. É só esperar.

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