Olavo de Carvalho e Luiz Felipe Pondé: aproximações e diferenças

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Desde que tive contato com o pensamento de Olavo de Carvalho fiquei impressionado. Com o de Luiz Felipe Pondé aconteceu o mesmo.

Conheci o pensamento de Olavo no ano de 1997. Tive a oportunidade de, como anônimo na massa de estudantes, assistir às palestras de lançamento do livro de Olavo “Aristóteles em nova perspectiva” no auditório da pós-graduação em Filosofia da UFPE.

O que me chamou a atenção foi Olavo estar na academia e desafiar, diante de uma plateia silente e perplexa de discentes e professores, ícones da universidade brasileira nos cursos de humanidades, como Freud e Marx. O primeiro contato com Olavo foi marcante.

Com Pondé, meu “encontro” se deu mediante entrevista nas páginas amarelas de Veja, acho que em algum momento de 2011. Foi uma entrevista formidável em que Pondé abordava os jantares inteligentes e a correção política. Causou impacto. O primeiro contato com Pondé foi marcante.

De Olavo, já li “O imbecil Coleivo I”, “O Futuro do Pensamento Brasileiro”, “A nova era e a revolução cultural” e o debate entre ele e o Prof. Alexandr Duguin; li também inúmeros artigos escritos por Olavo em jornais e revistas. Além disso, assisti a diversos True Outspeak e hangouts com o “Professor”. Acompanho Olavo desde o tempo em que ele escrevia na revista época que era “cristão-judeu-muçulmano” (sic).

Leitura de Pondé: “Os dez mandamentos (+um)”, “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia”, “Guia Politicamente Incorreto do Sexo”; “Filosofia da Adúltera”, “Contra um mundo melhor”; “Por que virei à direita” e alguns artigos de jornal. Também assisti a vídeos de Pondé sobre diversos assuntos.

Conheço, portanto, um bocado da obra dos dois pensadores.

Aproximações

Pondé é conservador, Olavo também.

Pondé é crítico do pensamento revolucionário, Olavo também.

Pondé possui grande conhecimento, Olavo também.

Pondé é liberal em economia, Olavo também.

Diferenças

Pondé é médico; Olavo, não.

Pondé tem formação acadêmica em filosofia (até pós-doutorado); Olavo, não.

Pondé apresenta estilo despojado e descontraído; Olavo, não (por favor, não confunda palavrão e sacanagem com despojamento e descontração).

Pondé define-se como ateu místico; Olavo como católico.

Pondé exibe conhecimento filosófico, literário e psicanalítico de muita vastidão e com citação das fontes; Olavo parece bater sempre nas mesmas teclas e apresenta muitas ideias como se fossem suas (quando eu li “As ideias conservadoras”, de João Pereira Coutinho, percebi que havia uma fonte cuja água Olavo não oferecia a ninguém. Pensamentos que muitas vezes achei que eram de Olavo, na verdade possuíam um lastro mais profundo na filosofia conservadora).

Pondé admira e exibe pontos de contato com a tradição reformada, Olavo, não. Na verdade, Olavo chegou num ponto que não pode mais mascarar seu desprezo pelo protestantismo.

Pondé fez e faz programas e colóquios com pastores acadêmicos como Franklin Ferreira e Ed René Kivitz; Olavo, ao contrário, tem convertido pastores à religião dele.

Pondé ensina com naturalidade e leveza; Olavo é mestre do histrionismo e da retórica: mão na cabeça, gesticulações, pornografia, aparente afetação com qualquer crítica que lhe dirijam.

Considerações

Olavo de Carvalho na verdade é um reformador social usuário das mesmas táticas gramscianas – ocupação de espaços, reforma moral e intelectual pela ensino, etc – que encoraja seus alunos a abominar. Se Gramsci, nos dias dele, usou a Igreja Católica para promover Comunismo, Olavo, nos dias de hoje, a usa para promover, de alguma forma, Ocultismo. Olavo realiza a revolução cultural às avessas.

Ele não é um simples professor, por sinal parecido com os sofistas em alguns aspectos. Olavo tem um programa a cumprir; ele está envelhecendo e possivelmente dará suas cartadas finais imprimindo ritmo acelerado a sua suposta restauração da “alta cultura”: inocular nos seus leitores e alunos o veneno do islamismo místico de René Guénon. Para isso ele tem procurado enfraquecer a religião evangélica e talvez, como me ensinou um interlocutor acurado, Olavo mande seus seguidores saírem do catolicismo. Nesse dia, muitos o obedecerão.

Por fim, no auge do meu olavetismo, eu achava a obra de Pondé tímida e o papel dele algo como covarde e mauricinho. Era preciso ser combativo como Olavo de Carvalho. Hoje, compreendo um pouco melhor a obra de Pondé e vejo que seu entendimento da realidade, sua abordagem do homem e a profundidade do seu pensamento tem bem mais amplitude que o conjunto da obra de Olavo, uma vez que Pondé reúne medicina, literatura, psicanálise e filosofia numa síntese admirável para quem gosta de estudar humanidades.

Dessa forma, entre as várias diferenças entre Olavo e Pondé, dou destaque ao fato de que Olavo parece pertencer a alguma intelligentsia revolucionária que ainda não consigo identificar claramente. Nesse sentido, lembro de algum iluminado na rede que usou a expressão “direita gramsciana” para se referir ao grupo liderado por Olavo. É a direita que combate certo veneno para que não se tome dele, mas que, concomitantemente, procura administrá-lo para os doentes de que toma conta. Estranho. Confuso. Assim fica difícil, Olavo.

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