Talvez amor

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Acabo de ouvir a deliciosa Perhaps Love, de John Denver, na célebre interpretação dele em parceria com Plácido Domingo. Dediquei logo a minha mulher. Depois, ouvi de novo. Lembrei de bons amigos, como Café Filho e André Gustavo. Os outros não fiquem tristes, por favor. Lembrei de minha mãe, já nas alturas. Lembrei de meu pai, vivinho da silva. Pensei nos meus filhos. Pensei nos meus irmãos.

O amor e seus percalços. Por que ele vem sempre acompanhado do sofrimento? Eros e Thanatos, já os relacionava Dr Freud. A destruição está pertinho do amor, quase como moeda, cara e coroa; isso no querido e quase inescapável amor romântico. Até padre um dia já deve ter passado por essa “praga” doce chamada amor romântico. Muitos passaram por esse mar bravio. O amor romântico é diferente da amizade, contudo.

Alguém já ensinou de forma definitiva a diferença entre o amigo e o amor: este quando está próximo é muito bom; aquele também. A diferença está na distância. Quando o amor não está, a gente sofre; a distância do amigo dá pra suportar. Suma: amor e amigo quando presentes trazem alegria, mas só a distância do amor traz angústia.

Sobre amor aparece na tradição hebraica uma linda declaração do Eterno pelo povo da Aliança: Deus chama Israel de meu filho e vai buscar o filho agredido e cativo, como é conhecida a história no livro de Êxodo.

“E dirás ao Faraó: Assim diz o Eterno: Israel é meu filho, meu primogênito.”

Quem deixaria um filho para trás? Quão opressivo deve ter sido pra mãe que viu seu filhinho junto do gorila macho alfa lá no Zoo de Cincinnati? O desejo dela de resgatar aquele filho deve ter ido aos píncaros. Deus resgatou Israel. Mas a mãe estava impotente, nada podia fazer com as próprias mãos. Quem quer perfeito, faz; não manda. Ainda bem que a criança foi resgatada, apesar de o gorila ter morrido.

Abrigo contra a tempestade, aquecimento contra o frio, resposta à morte, aspecto da divindade, conforto, companhia, espanta solidão, força contra depressão e ansiedade, aconchego como de casa, janela para arejar, porta aberta para evitar prisão, GPS para os perdidos, ninho para os achados, mutante como nuvem, duro como aço, modo de vida, modo de sentir, persistente, desistente, definível, indefinível, conflito, dor, fogo para aquecer do frio, local de descanso, amedrontador como trovão, silencioso como sono, talvez o amor seja tudo isso, talvez não. Quem se arrisca a defini-lo?

Não importa tanto.

Vamos falar de amor?

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2 comentários sobre “Talvez amor

  1. Como na carta aos coríntios O amor é o Dom Supremo…
    Como questionar o inquestionável né Marcos Paulo? Assim como Paulo você só transmite Amor. Agradeço à Deus por sobrinhos e irmã serem abençoados com o Paulo do Marcos que consegue definir tão bem o Amor.
    Obrigada Pastor, não seria diferente de que nasceu do Amor!

    Curtir

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