Ser antipetista não é ser conservador: o caso de Romero Jucá

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As conversas cinzentas que o jornal Folha de São Paulo revelou acerca de Romero Jucá servem de ilustração para este artigo, que eu esboçara dias atrás. Muita empolgação se tem visto na boca de alguns conservadores sobre o impeachment de Dilma e a assunção do presidente Temer. É verdade que já se está diante de outro tipo de chefe de governo e de Estado, porém só o curso do tempo mostrará se o presidente de hoje é um estadista. Só. Não vejo motivo para tanta empolgação.

Ele é o vice dela; é aliado de já algum tempo. Apesar de ter reduzido ministérios e sinalizar certa racionalidade administrativa, no primeiro escalão do novo governo aparecem nomes desgastados na cena pública. Muitos deles frequentam o Palácio da Alvorada desde o mandato de Fernando Henrique. Outros, além de Jucá, estão sob os fuzis da Lava Jato. Trata-se de um novo governo; não de um governo novo.

Henrique Meirelles e José Serra, embora polidos e de bom conhecimento técnico tem alma tucana; Helder Barbalho é filho de Jader Barbalho;  Sarney filho, filho de José Sarney, além dos antigos ministros Raul Jungman, Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha.

São todos velhos conhecidos da Política nacional.

Embora a grita da esquerda petista e dos asseclas seja constante e pareça indicar que o governo Temer é um monstro conservador, isso não procede. É apenas um novo governo, não um governo novo. A recriação do Ministério da Cultura indica isso; o caso Jucá mostra isso. Não obstante seja esquerda mais soft, o novo governo é esquerda também.

Ninguém se engane (escrevo o óbvio): ser antipetista não é ser conservador. As organizações Globo, por exemplo, têm apontado com firmeza os erros administrativos e os crimes do PT, mas elas permanecem esquerdistas e talvez até fãs do “PT ideal” dos anos 80 e 90.

De acordo com a resolução que tomei no início do ano, leio toda semana a revista Época e o jornal o Globo. Tais mídias têm algo em comum além de pertenceram ao mesmo grupo empresarial. Ambos dedicam extensas – e intensas – reportagens expondo a nudez dos desmandos e dos descalabros petistas. Ou seja, são antipetistas – ou estão antipetistas. Mas não são mídias conservadoras. Elas mantém em seu plantel de articulistas e formadores de opinião verdadeiros craques da forma vermelha de pensar e contumazes defensores das bandeiras progressistas. No jornal, Luís Fernando Veríssimo e Cacá Diegues; na revista, Walcyr Carrasco e Eugênio Bucci. Não são os únicos.  Às vezes, Bucci também aparece no jornal. Todos escrevem muito bem e seduzem pela prosa. Mas, sutilmente, mostram às claras a face progressista das Organizações Globo. Quer mais? Na edição de 16/5/2016, Época consultou não dois políticos sobre prognósticos para o governo Temer. Época entrevistou dois luminares do pensamento de esquerda no Brasil: Marcos Nobre e Renato Janine Ribeiro.

Repito. Ninguém se engane. O novo governo é também de esquerda, mais sutil e mais light, e não é tão diferente em essência do anterior (veja o caso de Romero Jucá). Finalizo dizendo que ser antipetista não é ser conservador. “Globeleza” que o diga.

 

e-mail:mpaulojme@gmail.com

twitter:@marcospaulofon2

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