Ele não cansa: Eugênio Bucci é advogado do PT

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Mais uma vez Eugênio Bucci sai em defesa do PT. E com todas as letras. Ele não tergiversou e nem agiu às escondidas. Se ele não fosse professor de Comunicação da USP, daria um bom causídico. Pelo menos do PT.

Bucci assina coluna quinzenal na Época de papel, que é publicada também no blog da revista. Em “Tomara que o PT sobreviva – e se renove (Época, 16/5/2016) Bucci se superou. Sempre elegante e polido, o patrocínio de Bucci da causa petista tem um ponto central que pode ser descrito assim: sem o PT, a democracia brasileira ficará manca. Por favor, Bucci, não violente minha inteligência.

Ele insiste novamente em falácia, como já apontei anteriormente. De novo, ele toma o PT como a própria esquerda e insinua que este partido é uma espécie de sustentáculo da democracia brasileira. Diz o professor:

“Quem sonha com um quadro partidário sem a estrela vermelha está sonhando com uma democracia amputada, que nega a si mesma, que cultiva uma autoimagem falsificada.”

PT como messias e salvador da política nacional? É piada.

Prossegue o ilustre:

“Se ele fenecer, vai ficar faltando um pedaço. Outras agremiações de esquerda não darão conta de ocupar o vazio.”

Quem disse que não? Como Bucci pode saber disso? Eis a falácia conhecida por “ladeira escorregadia”, pela qual se lança manobra para se tocar em assunto diverso do que está em foco. É diversionismo. Hipótese aterradora é lançada para que se fuja do tema em foco e aí se vai ladeira abaixo com assuntos que nada tem a ver com o principal.

Bucci deixa no ar a velha tese de que o projeto marxista como um todo não é péssimo em si mesmo; apenas sofreu desvios de finalidade que fez com que esse programa não cumprisse adequadamente os fins “nobres” do movimento. O historiador do comunismo Richard Pipes é de opinião contrária. Ele, no livro-resumo “O comunismo”, entende que a efetivação das medidas comunistas não foram levadas a cabo por desvio dos objetivos do programa traçado no Manifesto, de 1848, mas por cumprimento deles.

Ademais, há um fato interessante que Bucci parece ignorar ou finge não saber. Tenho dificuldade em supor que um professor universitário que escreve sobre política, sobretudo porque escreve à esquerda, não saiba que o PT dos sonhos dele, o PT dos anos 80, ainda tem muitos seguidores de Gramsci. E que Grasmci não era democrata, como aponta James Joll no livreto “As ideias de Gramsci”. Grasmci entendia a democracia liberal e a disputa eleitoral como etapas que ajudavam o partido a conquistar a hegemonia na sociedade e a fazer raiar o dia comunista entre todos.

Além disso, o mea culpa petista pelas lambanças que praticou no Brasil foi de lamento. Conforme noticiou Eliane Cantanhêde, O PT democrático de Bucci lamentou não ter, traduzo assim, instrumentalizado Polícia Federal, Ministério Público Federal e nem ter modificado currículos nas academias militares. Partido gramscista sim; partido antidemocrático sim.

Desse jeito, não é possível levar a sério o desejo de conto de fada para primeira infância expresso por Bucci em sua coluna, pois ele omite o caráter instrumental da “eleição burguesa” tanto para Gramsci como para o PT e usa da inocente presunção de que a democracia brasileira ficará ferida de morte e desfalcada sem um partido que vê a democracia como meio para um fim: a supressão dela mesma e o controle hegemônico da sociedade civil. Assim não dá, Bucci. Vá advogar para o PT em outro lugar, por favor.

 

e-mail: mpaulojme@gmail.com

twitter: @marcospaulofon2

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